18.3.12

para sempre




rafael sanzio




hoje os sinos voltam a tocar e eu aqui com a memória na mão – o tempo passa sempre tão depressa quando o corpo não existe – ao olhar só mesmo a recordação. diria que foi ontem. nas mãos um desejo irracional de te tocar. como se ainda fosse possível – não é –  e o corpo sempre em arrepios por ainda ouvir aquela voz – o papá faleceu – foi assim. e o que era feito de pó partiu para deus. o teu deus. aquele por quem fazias o sinal da cruz pedindo-lhe que te acolhesse no dia de todos os choros – ficamos com as lágrimas a cair para sempre – os sinos tocam março e aquele pedaço de terra que me caiu das mãos ainda vai no ar. nunca te cobriu  – março é o meu mês. o nosso mês. filho és. pai serás. assim como fizeres. assim acharás – é já depois de amanhã o nosso dia – feliz dia do pai



sampaio rego


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