25.8.12

chove feio




bia





a chuva e o frio entranharam-se-me no corpo – em frente. a janela entregue a uma pelicula de água escorregadiça deixa passar suavemente a noite feia batida a vento – chove feio – não há forma de escapar a uma noite feia com uma chuva feia. ficamos então também feios. ficamos inverno. as mãos gelam e o coração começa a bater em retirada para um agasalho tricotado de silêncio – e todos aqueles que partiram estão de volta – falta o pingo no nariz. as meias de lã. e aquele esfregar das mãos. uma e outra enrodilham-se. cruzam-se. esfregam-se. fazem calor. suportam-se e partem cada uma para seu lado – retomo a escrita. acelero as palavras. e a rábula da cigarra e da formiga ganha um novo feitio – sempre gostei mais da cigarra. arteira. manhosa. astuta. esperta. atiçada. enfim. com todos os predicados para um dia poder escrever um livro sobre as suas memórias – então. para afastar a maldição das noites de verão feias escrevi este desabafo nocturno a que lhe dei o nome de “chuva” – a minha interrogação é se o título não deveria ser “chove feio” – também eu me sentia feio e mergulhado em chuva



* texto em forma de resposta a um comentário da colega mabreu ao meu texto postado com o título de "chuva"




sampaio rego


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