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31.12.11

A Dama E O Pescador - Feliz Ano Novo



Se hoje eu soubesse
escreveria
o poema mais sublime
mas quem não sabe escrever
deve venerar
os poetas que glorificam
- a palavra cantada!
deve amar o pai
que desejou, fez e semeou
- a trova!

Se hoje eu soubesse
escreveria
o poema mais sublime
mas quem não sabe escrever
tem d´amar o trovador
que honra a donzela
(mãe de todas as canções)
para que nela nasça o reinado
dos filhos de todas as gerações


JouElam, 311220111420


Votos sinceros de Ano Bom 2012 para o Movimento Às Artes, todos os seus colaboradores e amigos



13.7.11

Esperança, A Alvorada Rubra






...Naquele instante o ser errante (que erra)
Viu translúcidas as coisas mundanas
Através de vítreo sofrimento, plangente, cristalino.
Embora ferido, sim! Erguido! Como um badalar de sino
Determinado (selvagem instinto) a vencer as insanas
Vicissitudes da peleja incessante da Terra.

Enquanto este fraco caminhava, o solo pobre estremecia vivente.
Mas seu abatido mirar caçador enfocava a vitória.
Assim gritava: “O que não me mata somente me fortalece!”
Ainda que imerso onde a dignidade humana apodrece
O ser, rústico e armado, talhava a própria história.
— Lança! Urrava sua esmigalhada garganta doente.

Quando a flama no horizonte ascendia em sua Jornada
Acendendo um Inferno na Abóbada Celeste (fúria dos Anjos)
Ele não temia: tamanho Caos apenas lhe motivava a viver.
O pobre, chovendo, enfim ousou se enfurecer:
— Pela VIDA! – E junto ao dele reverberaram mil manifestos e trovejos
E de súbito ergueu-se do abismo, sangrando, a Rubra Alvorada.

...

Das Cinzas, a Esperança.
Os últimos tornar-se-ão os primeiros.
E quer seja isto possível ou somente utopia de cão,
Preparai-vos! Pois...
“À beira do precipício (ignição), haverá r/evolução!”

_________________________________________


Poema in "Pensassonhos", de Israel Silva.

Primeiramente postado em: http://israel.revistacrase.com.br/

20.1.11

O poeta dela...


Suspirando de amor,
cada dia morria um pouquinho...
Bailava nos sonhos azuis
daqueles versos escritos no papel,
jogados ao sabor do vento,
caídos no colo, sobre seu vestido rodado...
A cada palavra sentia o beijo terno,
cada estrofe uma promessa de vida,
cada rima uma canção mágica...
O amado de toda uma vida,
estava naquele pedacinho de papel...

29.10.10

Um poema de Gavine Rubro: Insomnia

[Imagem por Vera Fernandes]

Insomnia

Neste sopro frívolo de insónia
Escrevo com as ramelas dos olhos cansados
Com a lágrima seca pelo olho
E resquícios de baba no canto da boca.
Nesta madrugada tudo me inquieta de uma forma caótica
Sou panela rústica de pressão que verte fumo comprimido
E de uma forma caótica tudo me inquieta no aqui, no agora
O coro dos sapos para lá da janela
O ranger das janelas pelo sebento fulo vento
O gotejar pela torneira ríspida da casa de banho
Este mosquito, este mosquito assassino que teima em zumbir no meu ouvido
E o meu relógio, cujos ponteiros tão vagarosos.
O sol nunca mais nasce e continuo com insónias
Insónias sem motivo aparente, a insónia displicente.
Tento comer algo pela boca e pela gengiva de jejum
Mas o pão tem bolor verde, o leite azedo
O açúcar nada em formigas e os cereais em mortas baratas
Que podridão! Parece que ninguém vive aqui há milénios de tempo
Isto fede que tolhe. Cheira-me a pus de morte
Pus de uma bolha que nem devia tentar arrebentar.
Há cadeiras só com os contornos de madeira
Cadeiras que parecem decorativas à casa
Quadros cheios de pó, cinza e mil e um cinzeiros espalhados
Cheios de beatas idosas, seringas de sida, joints em excertos.
Neste sopro sussurrante de insonolência
Pútrido não quis eu dormir.
Nem os sapos, mosquitos, janelas, torneiras
Nada! Sinto-me desintoxicado da pureza, bondade
E imune à saúde,
Vagabundo drogado pela Heroína de chocolate que é o romance
Bêbedo viciado na vodka que é o sexo
Um viciado anónimo pelas facas que percorrem o altruísmo.
É de noite e preciso é só de um bom café.

Gavine Rubro

10.2.10

Coração Digital - A.I.

Sou duma época em que a robótica
pode amar os humanos
e em que os humanos estão incapacitados
de me amarem
e de se amarem entre eles
talvez uma fada possa sossegar
os meus circuitos sem sangue
talvez as veias da fantasia
me devolvam
uma história suspirada ao adormecer
pela minha mãe
Sou menino repleto de circuitos e cpu's
não existem cirurgiões que possam
reprogramar a minha memória
a minha metaliforme emoção...
mas por uma noite de amor
eu venceria a mais gigantesca baleia
renunciaria ao mais vil João Honesto
seria artista de circo
e voltaria a casa cansado
com todo o meu aço enferrujado
Se o meu pai fossse o Gepetto
e a Disneylândia o meu lar
chamar-me-ia Pinóquio
mas eu não sou esse boneco-de-pau
não posso voltar para casa
tenho de regressar à oficina
ir para a manutenção
porque
não passo dum menino
de olhos bem fechados
dum infra-terreste que nasceu
da excêntrica comunhão
entre o Dr. Estranho-Amor e O Tubarão ...

Luiz Sommerville